terça-feira, 23 de outubro de 2012

Aulas de Matemática, Português e Ciências usando Moodle


 Por 
Heloiza Lanza

Para contribuir cada vez mais com a aprendizagem e autonomia dos alunos, preparando-os para seus estudos acadêmicos futuros, introduzimos um novo recurso digital para ensino aprendizagem de matemática, português e ciências. Neste terceiro e último trimestre do 9º ano usaremos um ambiente virtual de aprendizagem, denominado Moodle, e utilizado em diversos países e instituições educacionais, inclusive em escolas de ensino fundamental e médio.

Moodle é o acrônimo de "Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment", trata-se de um software livre, criado pelo australiano Douglas Dogiamas para estudos na universidade onde estudava e trabalhava, tem sido usado na Escola Projeto Vida desde 2010 como ambiente virtual para formação de professores e, a partir deste semestre, como ambiente de apoio à aprendizagem aos alunos.

A proposta
Numa perspectiva colaborativa construtivista, nossa proposta é criar um ambiente de apoio ao que for apresentado em sala de aula, para estudo individual e colaborativo.
Em sala de aula serão organizados grupos que terão como objetivos: estudar de forma colaborativa e compartilhada, produzir textos autorais sobre os conteúdos estudados, bem como, elaborar atividades com os colegas. Desta forma, as atividades propostas no Moodle serão mais um canal de estudos e revisão de conteúdos.
O ambiente virtual de aprendizagem (AVA) possibilitará ainda que o professor acompanhe todo o processo de aprendizagem dos alunos, desde a mediação das atividades, tarefas e dúvidas até mesmo a participação dos alunos no ambiente.
O programa além da interação entre professora e aluno/alunos, permite o acompanhamento de acesso ao ambiente sendo possível identificar data/hora das entradas nas atividades e participação de cada aluno nesse ambiente.

O cronograma
Sendo o Moodle um software, é possível realizar nele todo o gerenciamento não só de conteúdo e frequência/participação, mas também de informações e organização sobre e da disciplina. No ambiente o aluno terá acesso ao cronograma de atividades e, ainda terá acesso aos recursos para realização das tarefas, às atividades de seu grupo e individuais, conhecerá os prazos de entrega e participação nos fóruns.
Sala de Aula Virtual da Escola Projeto Vida

Como ajudar o seu filho(a) a usar esta tecnologia
Se você é pai/mãe de aluno(a) da Escola Projeto Vida, pode ajudar seu filho ou filha incentivando-o a entrar no ambiente de aprendizagem, no mínimo nos dias em que houver aulas da disciplina estudada. O ideal é que seja todo dia para que ele (e você) possa acompanhar conteúdos e tarefas, cronograma e devolutivas/orientações dos professores. O tempo pode variar de aluno para aluno, contudo as estratégias desenhadas demandam no máximo 30 minutos/dia. É importante acompanhar e orientar o aluno para que tenha atenção às devolutivas do professor e que podem ser individuais (referentes às tarefas individuais) ou para o grupo. As devolutivas que serão dadas ao aluno pressupõem orientações quanto ao desenvolvimento e desempenho das tarefas e estudos.

Heloiza Lanza é coordenadora de tecnologia educacional e robótica na Escola Projeto Vida.

Nativos Digitais


 Por
ChicOrtiz.


"...As crianças hoje nascem sabendo usar estas novas tecnologias. O meu filho mesmo, pequeno, é capaz de jogar usando meu celular e descobriu tudo sozinho, coisas que nem mesmo eu sei usar direito...". [anônimo].

A frase acima lhe soa familiar? Já a ouviu em algum lugar?

Então, para você talvez seja novidade descobrir que o jogo, o software que corre fluido pelos nossos aparelhos de última geração é, na maior parte das vezes, construído de forma truncada. Demora a ficar pronto, construí-lo está longe do que poderia ser um gestual liberto. Se é que algum dia pôde existir algum gesto assim mais verdadeiro.

Pode parecer estranho, mas as vezes temos um vislumbre desta cozinha bagunçada que é a criação de software: por exemplo, quando nosso vídeo favorito não toca mais. Quando perdemos uma agenda eletrônica de contatos, quando um antigo texto se torna uma sequência de hieróglifos egípcios misturados com símbolos de baralho, quando o chip ou o periférico antigos não funcionam em conjunto com nossa mais nova aquisição bugigangológica, quando jogamos na lata do lixo uma porção de disquetes, ou objetos que algum dia sei lá porque razão, julgamos importantíssimos em nossas vidas.

Porque é fácil confundir um objeto obsoleto com a obsolescência de nossa própria memória ou ainda
obsolescência de uma ideia que tivemos. Se confio em alguns objetos para que possam me auxiliar a lembrar, não deposito nestes objetos também, eventualmente, um pouco de minha própria auto-estima? Os elementos que adornam a lembrança de uma pessoa querida podem por uma fatalidade, no instante seguinte, servir para que o próximo ridicularize nossa nostalgia em público.

- Já repararam no apego de pessoas idosas por fotos preto e branco que cabem em carteiras?

Daí surge a responsabilidade: que conteúdo devem ter os mais novos quando o meio de aprender é a tecnologia? Que conteúdo é esse que na prática, deveria garantir parte da subsistência dos alunos mais adiante?

Pois é.  São alguns dos desafios de se educar tendo a tecnologia como meio. É muito fácil se deixar seduzir pela mesma não compreendendo camadas mais fundamentais do conhecimento, conhecimento esse que poderia levar a uma apropriação mais completa do objeto em si pelo indivíduo.

Ao adquirir um objeto tecnológico no comércio estamos longe de possuir alguma coisa: se não temos nem vaga ideia de como se dá a reprodução deste mesmo objeto, iniciamos esta relação no mínimo como troca desigual. Trocamos, ainda que disfarçada e imperceptivelmente, nossa riqueza natural mais preciosa por uma fração minúscula de riqueza intelectual. E pior ainda: na maior parte das vezes sem nos darmos conta...

E isso senhoras e senhores, não canso de repetir, tem sido ao longo de nossa história, invariavelmente, um mau negócio.

Chico Ortiz é arquiteto, desenvolvedor de tecnologias opensource e professor do curso 3D na Escola Projeto Vida.